Lei e Desejo
Lacan e Hegel na Análise das Relações de Trabalho Pós-Modernas
Palavras-chave:
Psicanálise Lacaniana, Dialética do Senhor e do Escravo, Relações de Trabalho, Estruturas Clínicas, AlienaçãoResumo
O artigo se situa no campo da articulação entre psicanálise lacaniana e filosofia social, com ênfase na teoria hegeliana do reconhecimento. Tem por objetivo investigar de que maneira as estruturas clínicas formuladas por Lacan, neurose, psicose e perversão, podem ser relacionadas às formas contemporâneas de exploração nas relações de trabalho, à luz da dialética do senhor e do escravo de Hegel. Metodologicamente, realiza-se uma pesquisa teórico conceitual de caráter ensaístico, baseada em revisão bibliográfica de Lacan, Freud e Hegel, articulada à análise interpretativa de fenômenos sociais e de obras audiovisuais. Em um primeiro momento, descrevem-se as estruturas clínicas como posições fundamentais frente à Lei, ao desejo do Outro e ao campo simbólico. Em seguida, reconstrói-se a dialética hegeliana do senhor e do escravo e seus deslocamentos em Lacan, destacando o papel do desejo, do trabalho e da alienação. Por fim, aplicam-se essas chaves teóricas a três configurações paradigmáticas do trabalho contemporâneo: a empregada doméstica “da família”, a cultura corporativa da felicidade compulsória e a uberização gamificada. Os resultados indicam que as estruturas neuróticas, psicóticas e perversas atravessam e sustentam novas formas de dominação e autoexploração. Conclui-se que o capitalismo pós-moderno instrumentaliza o impossível do desejo e a promessa de reconhecimento, atualizando sob novas roupagens a lógica hegeliana de senhor e escravo.